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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Agressões ao nosso planeta

Mäyjo, 11.11.14

Na ânsia do desenvolvimento e da melhoria do nível de vida muitas vezes o ser humano comete erros que acaba por pagar bem caro.

 

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PRIPYAT, CIDADE ABANDONADA PERTO DA CENTRAL NUCLEAR CHERNOBYL, UCRÂNIA

 

No dia 26 de abril de 1986, a explosão de um dos reatores da central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, causou a maior catástrofe nuclear civil de todos os tempos, provocando a dispersão de substâncias radioativas sobre uma grande parte da Europa. As 120 localidades circunvizinhas, como Pripyat (50.000 habitantes), a 3km do epicentro, foram evacuadas tardiamente. O número exato de vítimas ainda hoje é incerto, mas estima-se que vários milhões de pessoas sofrem de doenças relacionadas à irradiação (má formação, câncer, deficiência imunitária etc.). Em dezembro de 2000, a atividade do último dos quatro reatores da central foi definitivamente interrompida, em troca de uma ajuda ocidental de 2,3 bilhões de dólares para a construção de duas novas centrais nucleares, concluídas em 2004. Classificados, assim como Chernobyl, no nível 7 da escala de gravidade de acidentes nucleares que tem 7 níveis, os acidentes em série que atingiram quatro reatores da central de Fukushima Daiichi no Japão em março de 2011 vieram lembrar os perigos incontroláveis da energia atômica. Se a indústria nuclear apresenta a vantagem de produzir eletricidade sem emissão de gases do efeito estufa, ela ainda não resolveu o problema do futuro dos seus resíduos, altamente radioativos e de meia-vida longa, gerados pelos 435 reatores ativos em 2001 espalhados em mais de 35 países, que se acumulam nos centros de estocagem.

 

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CARAVANA DE DROMEDÁRIOS PERTO DE NOUAKCHOTT, MAURITÂNIA

 

O Saara, maior deserto de areia do mundo, cobre 9 milhões de km2 (o equivalente à superfície dos EUA) divididos em 11 países. Em seu limite ocidental, a Mauritânia, com 3/4 desérticos, é particularmente atingida pela desertificação de origem antrópica. O excesso de pastos e a colheita de madeira para queimar suprimem, pouco a pouco, a vegetação fixadora dos grandes maciços dunares, facilitando a progressão da areia, que ameaça cidades como Nouakchott.

A capital, construída numa planície coberta de capim em 1960 a uma distância de vários dias a pé do Saara, encontra-se hoje com o deserto às portas. As zonas áridas e semiáridas cobrem 2/3 do continente africano, e suas terras frágeis se deterioram rapidamente. Durante os últimos 50 anos, 65% das terras aráveis e 31% dos pastos permanentes da África subsaariana foram assim degradados. Isso causa uma diminuição dos rendimentos, que repercute na segurança alimentar. Nesse círculo vicioso difícil de romper, a pobreza é, ao mesmo tempo, causa e consequência da degradação das terras cultiváveis e da queda da produtividade agrícola.

 

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CENTRO-PIVÔ DE IRRIGAÇÃO, WADI RUM, REGIÃO DE MA’AN, JORDÂNIA

 

Esse pivô central de aspersão autopropulsor fornece aos cultivos água retirada por perfuração em camadas profundas do subsolo (de 30 a 400m), em superfícies irrigadas de 78 ha, por meio de uma rampa pivotante munida de tubos de aspersão, com cerca de 500m e montada sobre rodas de trator. Na Jordânia, o volume de água consumido ultrapassa o das reservas renováveis. Os lençóis subterrâneos são explorados num ritmo duas vezes superior ao da realimentação, quando não se trata de lençóis fósseis não renováveis. A produção de uma tonelada de cereais necessita de cerca de 1.000 toneladas de água. Os países do Oriente Médio, confrontados com necessidades alimentares crescentes, aplicam métodos modernos em suas agriculturas, colocando em risco suas reservas de água. Técnicas de irrigação como as da microirrigação permitiriam economizar até 50% da água. Entretanto, exigindo muita mão de obra, elas foram pouco a pouco abandonadas nas últimas décadas. Fazer o deserto florir pode parecer milagroso, mas ocasiona o racionamento para a população e a salinização das águas subterrâneas e dos solos. Essas práticas agrícolas e de irrigação não sustentáveis são a causa da perda de fertilidade. Das terras irrigadas do planeta, 20% são afetadas pela salinização e a cada ano de 250.000 a 500.000 hectares são perdidos para a produção agrícola.

 

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HABITAÇÕES DOS ÍNDIOS KUNA, ILHAS ROBESON, ARQUIPÉLAGO DE SAN BLAS, PANAMÁ

Há quase um século, os índios Kuna que moram no litoral e em 40 ilhotas do lado caribenho, obtiveram um estatuto de semiautonomia por seu território nomeado Guna Yala. Seus 40.000 habitantes podem se autoadministrar e proibiram qualquer investimento estrangeiro em sua terra. Recebem-se, com prazer, visitantes e tiram parte das rendas do turismo, os Kuna não são invadidos nem ameaçados pelo turismo, que em outros lugares do globo pode tomar uma aparência de safári humano. Em 2011, o Panamá se comprometeu a certificar a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) relativa aos povos indígenas e tribais. Ela reconhece a aspiração dos povos indígenas “a terem o controle de suas instituições, seu modo de vida e seu desenvolvimento econômico próprio e a conservarem e desenvolverem sua identidade, sua língua e sua religião no Estado em que vivem”. Atualmente é o único instrumento obrigatório de proteção dos direitos dos povos indígenas. Ao certificar esse texto, os governos se comprometem a garantir de forma efetiva a integridade física e espiritual dos povos autóctones que vivem em seus territórios e a lutar contra qualquer discriminação em relação a eles. Até agora, apenas 22 Estados assinaram, dentre eles dois vizinhos do Panamá, a Colômbia, em 1991, e a Costa Rica, em 1993. De acordo com a ONU, as populações autóctones constituem pelo menos 5.000 grupos humanos, representando 370 milhões de pessoas que vivem em mais de 70 países.

 

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CASA INUNDADA NO SUL DE DACCA, BANGLADESH

O Bangladesh é uma planície deltaica percorrida por uma vasta rede de 300 rios. De junho a setembro, quando chegam as chuvas diluvianas da monção de verão, os rios saem de seus leitos e inundam quase a metade do território. Habituada a esse ciclo natural, parte da população do país vive permanentemente sobre ilhotas fluviais efêmeras formadas de areia e lama acumuladas pelas correntes. Em 1998, 2/3 do país ficaram submersos durante muitos meses, após a maior inundação do século XX, que matou 1.300 pessoas e destruiu as casas de 31 milhões de bangladeshianos. Consequência do aquecimento global, as catástrofes climáticas são cada vez mais numerosas e, seis anos depois, novas inundações, tão devastadoras quanto as precedentes, atingiram o país. O Bangladesh é o país mais densamente povoado do mundo. É também um dos mais pobres e um dos mais ameaçados pelos efeitos das mudanças climáticas. Nas próximas décadas, milhões de bangladeshianos poderão ser obrigados a se mudar para fugir da submersão progressiva e durável das terras devido à elevação do nível do mar. Em 2010, mais de 38 milhões de pessoas foram deslocadas por causa de catástrofes ligadas a eventos meteorológicos extremos, segundo o Centro de Monitorização de Deslocados Internos (IDMC): nesse ano, 15 milhões de chineses e 11 milhões de paquistaneses foram expulsos de suas casas por inundações.

 

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JANGADA DE MADEIRA E SEU REMADOR NO RIO CONGO EM DIREÇÃO A BRAZZAVILLE, REPÚBLICA DO CONGO (CONGO-BRAZZAVILLE)

As estradas são raras na África Central, e as que são mantidas e utilizáveis ainda mais. É por isso que o rio Congo, segundo do mundo em vazão e segundo da África depois do Nilo em comprimento (4.700km), permite aos homens e suas mercadorias se deslocarem numa parte grande do seu curso e dos seus afluentes – sendo a construção de estradas rodoviárias, ao mesmo tempo cara e devastadora para o meio ambiente. Drenando o segundo maciço florestal tropical do planeta e situado sobre a linha do Equador, o rio oferece também a vantagem de ser navegável o ano todo. É o meio mais prático para o transporte de madeira e algumas se transformam em jangadas para o transporte de passageiros e mercadorias. Algumas pessoas se amontoam em barcaças empurradas por automotores que podem passar de 1.000 toneladas e embarcam numa viagem que pode durar várias semanas, mas o trajeto é arriscado nessas aldeias flutuantes. Uma tempestade ou um acidente podem tirar a vida dos passageiros. Em 2011, uma centena de pessoas morreu após uma colisão, no rio Congo, pois além de tudo, navega-se à noite também.